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A cerâmica é o material que acompanha o homem há mais tempo. Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, ele necessitava não apenas de um abrigo, como de vasilhas para armazenar a água, os alimentos colhidos e as sementes para a próxima safra. Tais vasilhas tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis a umidade e de fácil fabricação. Essas facilidades foram encontradas na argila.
A capacidade da argila de ser moldada quando misturada em proporção correta de água, e de endurecer após a queima, permitiu que ela fosse utilizada na construção de casas, de vasilhames para uso doméstico e armazenamento de alimentos, vinhos, óleos, perfumes, na construção de urnas funerárias e até como "papel" para escrita.
Todos esses inúmeros usos são importantes para a Arqueologia que estuda a história das civilizações baseada em fragmentos desses utensílios.
Os dutos cerâmicos foram utilizados a 4000 AC no antigo Egito e na Ilha de Creta, em obras de irrigação, drenagem, transporte de água e coleta de esgotos.
O Museu Britânico possui uma "manilha cerâmica" retirada de escavações realizadas na Pérsia com cerca de 4000 anos e que se encontra em perfeito estado de conservação.
Há cerca de 2000 anos, isto é, bem antes da descoberta do Brasil pelos portugueses, já existiam em nosso país populações que fabricavam cerâmicas, eram aldeias instaladas próximas a rios e ribeirões, vivendo da caça e pesca, cultivando determinadas plantas e capazes de manipular convenientemente o barro, produzindo uma gama variada de potes, baixelas e outros artefatos cerâmicos. O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, através de seu Setor de Arqueologia, desenvolve programas de prospecções e escavações em diversas regiões do Estado e delas emergem uma série de respostas cuja interpretação envolve o concurso de multidisciplinas.